O ministro Cristiano Zanin decidiu reagir ao jogo de empurra entre o colega André Mendonça e a Polícia Federal e exarou neste domingo (13) ordem para que uma cópia dos dados brutos do celular de Daniel Vorcaro sejam entregues hoje, até as 23h, ao seu gabinete para que ele examine as supostas mensagens atribuídas pelo time de Mendonça a Moraes. O ministro ressaltou que o julgamento da ação contra Moraes é terça-feira e tenta esvaziar a tese de procrastinação.
Em seguida, o ministro Alexandre de Moraes reiterou o pedido de Zanin e determinou ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, que forneça cópia da mídia do celular de Vorcaro.
Algumas horas depois, foi a vez de Gilmar Mendes solicitar acesso aos dados. Ele afirmou que, sem o acesso às informações extraídas do celular de Vorcaro, “não há como identificar omissões, obscuridades ou contradições no relatório” que trata da relação entre Moraes e o banqueiro, “nem aferir a integralidade do que foi recuperado, o contexto das mensagens ou a representatividade da seleção.”
“O que hoje se franqueia aos demais ministros são recortes de diálogos selecionados no relatório produzido por ordem do Relator, escolhidos entre várias outras conversas que não foram transcritas no referido documento”, diz Gilmar no ofício encaminhado ao diretor.
Mendonça afirmou em ofício que a PF entregou os dados brutos do celular do Vorcaro voluntariamente. O órgão, por sua vez, informou que os dados foram “requisitados” pelo gabinete do então relator do Master. Ou seja, que teve determinação.
Para tanto, Zanin e Moraes argumentam que não só Mendonça como a defesa de Vorcaro e até os integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito que apurou o escândalo Master no Congresso tiveram acesso a cópia dos dados brutos do aparelho do ex-banqueiro.
Quem cedeu acesso aos parlamentares da CPI foi Mendonça. O episódio culminou no vazamento de uma série de mensagens íntimas entre o banqueiro e sua ex-noiva, o que levou o relator do caso no Supremo a recuar.
Zanin dá a entender que, diante do histórico, não faz sentido a negativa de Mendonça agora, quando um integrante do Supremo será julgado por acusações formuladas pelo relator do Master.
Da Redação




