Na mira da Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira, 10, o deputado Mario Frias, de 55 anos, é filiado ao PL e entrou para a vida política em 2022, quando foi secretário da Cultura durante o governo de Jair Bolsonaro. O parlamentar foi alvo de mandado de busca e apreensão da PF.
Frias começou como ator no fim da década de 1990, quando interpretou o protagonista Rodrigo em Malhação, na Globo, fazendo par romântico com Priscila Fantin. Em 2006, atuou na novela infantil Floribella, na Band.
Na RedeTV!, foi apresentador e na Record atuou em uma novela bíblica.
Em 2019, Mario voltou à Globo e integrou o elenco da novela Verão 90. Em 2020, ele passou a se dedicar à vida política.

Vida pessoal
Em 2001, Mario Frias começou a namorar a atriz Nívea Stelmann, e os dois casaram em 2003. O casal teve um único filho, Miguel, atualmente com 22 anos, e em 2005 o relacionamento chegou ao fim.
Em 2006, Frias começou o relacionamento com a publicitária Juliana Camatti, com quem casou dois anos depois. Os dois continuam juntos até hoje e, em 2011, se tornaram pais de Laura.
Política
Em junho de 2020, Frias foi nomeado Secretário Especial da Cultura do governo Jair Bolsonaro (PL). Ele substituiu a atriz Regina Duarte, que deixou o cargo quando assumiu a Cinemateca Brasileira. Ele tomou posse em 23 de junho de 2020, em uma cerimônia fechada e sem aviso prévio, na época.
Com perfil conservador e assumidamente bolsonarista, ele se filiou ao PL em 2022 e foi candidato a deputado federal por São Paulo. Em 31 de março, foi exonerado do cargo na Cultura. A passagem pela secretaria rendeu polêmicas, como uma viagem a Nova York em 2021, quando gastou cerca de R$ 39 mil em recursos públicos, para se encontrar com um empresário de jiu-jitsu. A situação gerou investigações sobre os gastos e irregularidades.
Frias também foi investigado por assédio moral, por supostamente gritar e ofender subordinados, além de comportamento agressivo no ambiente de trabalho. Funcionários relataram à Veja que ele andava armado e exibia uma pistola na cintura dentro do gabinete.
Ele também fez declarações polêmicas nas redes sociais questionando a causa da morte do ator Paulo Gustavo, vítima de Covid-19. Frias criticou abertamente e tentou impedir a obrigatoriedade de passaporte sanitário, durante a pandemia, para que apenas pessoas vacinadas pudessem acessar projetos culturais financiados pela Lei Rouanet. A Comissão de Ética puniu o ex-secretário devido a declarações e posturas controversas durante o exercício do cargo.
Denúncia por fake news
Em 2025, Frias foi denunciado por uma publicação no X disseminando fake news com uma foto de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante a campanha eleitoral de 2022. Lula apareceu em uma foto usando um boné com a sigla “CPX”, e Frias alegou falsamente que a sigla significava “cupinxa, parceiro do crime”. A desinformação foi usada por Jair Bolsonaro e outros aliados para sugerir que Lula teria ligação com o crime organizado.
A Justiça Eleitoral de São Paulo acatou a denúncia do Ministério Público Eleitoral contra Mario Frias por disseminar fake news contra Lula. A sigla “CPX”, na verdade, significa “complexo”, e se refere ao Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro.
O post de Frias teve grande repercussão, e o TSE determinou a remoção da postagem e de reproduções que distorciam o significado da sigla, por considerar que isso poderia comprometer a lisura do processo eleitoral.
Escândalo do Banco Master e ‘Dark Horse’
Em maio deste ano, foi revelado que a produção do filme Dark Horse, que conta a história de Jair Bolsonaro, recebeu R$ 61 milhões de um valor acordado de R$ 134 milhões, o mais alto para qualquer produção do cinema brasileiro. O dinheiro teria sido dado por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a pedido de Flávio Bolsonaro (PL), atual candidato à Presidência.
Mario Frias é produtor executivo do filme. Inicialmente, ele negou qualquer repasse para a produção, mas mudou a versão e admitiu o dinheiro de Vorcaro. O Intercept Brasil publicou um áudio enviado pelo WhatsApp a Vorcaro em dezembro de 2024 em que Frias agradece pelo apoio à produção.
Alvo da PF
O deputado federal Mario Frias e a produtora de Dark Horse, Karina Gama, dona da Go UP Entertainment Ltd, são alvos de mandados de busca e apreensão da Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira em operação para investigar o desvio de recursos de emendas parlamentares para o financiamento do filme que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A operação de hoje é realizada em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU) e foi batizada de “Make Up”.
As investigações apontam a existência de uma organização criminosa, formada por agentes públicos e privados, suspeita de direcionar os valores recebidos para empresas subcontratadas de forma irregular, sem comprovação da efetiva prestação dos serviços contratados. As tentativas de dissimular os desvios teriam se estendidos até julho deste ano, conforme a PF.
Em maio, a defesa de Mário Frias negou ao ministro Flávio Dino que tenha feito triangulação de repasse de emendas para financiar a produção do filme. O deputado disse que a alegação é “puramente especulativa”, baseada em “pré-julgamento” e um “argumento frágil, insuficiente e juridicamente irrelevante para sustentar qualquer irregularidade”.




