A Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, movimento que reúne pastores e teólogos de diferentes regiões do país, declarou apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em carta aberta, o grupo afirma que a permanência do petista no Palácio do Planalto está alinhada a valores cristãos e faz críticas à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL).
No documento, a Frente associa a candidatura de Flávio a um projeto de “autoritarismo” e de “benefícios dos mais ricos”. O movimento também afirma que não é possível tratar como normais iniciativas políticas que, segundo os integrantes, representem ameaças às instituições democráticas e aos direitos fundamentais.
“Não podemos normalizar forças políticas que atacam as instituições, questionam o resultado das urnas, estimulam a violência e ameaçam os direitos fundamentais. A Bíblia nos ensina que ‘Deus não é Deus de desordem, mas de paz’”, destaca a carta.
O grupo também cita a atuação de Lula na defesa da soberania nacional diante do tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil. Para a Frente, a experiência recente reforçou a importância da liderança do presidente na defesa da democracia e na resistência a movimentos que poderiam ameaçar a ordem constitucional.
“A experiência recente demonstrou a importância da liderança do presidente na articulação da consciência democrática e na resistência às forças que ameaçaram romper definitivamente a ordem constitucional. E isso não apenas no âmbito nacional, mas também na esfera global”, afirma o documento.
Apesar da declaração de apoio ao petista, a Frente ressalta que a decisão não representa abandono de sua independência. Segundo o movimento, o posicionamento eleitoral não retira sua “autonomia” nem sua “capacidade de diálogo”.
Aproximação
O apoio anunciado ocorre em meio à tentativa de Lula de ampliar sua presença entre os eleitores evangélicos. As pesquisas eleitorais citadas no contexto da campanha apontam vantagem de Flávio Bolsonaro sobre o presidente entre o segmento religioso.
Para tentar reduzir essa diferença, a campanha de Lula iniciou uma estratégia de aproximação com o eleitorado evangélico. A primeira-dama Rosângela Silva, a Janja, lançou um comitê voltado aos evangélicos e um jingle de inspiração gospel para a campanha de reeleição do marido.
Lula também pretende realizar um encontro com pastores evangélicos e se reunir com o deputado federal Otoni de Paula (PSD-RJ), que já declarou apoio ao presidente em uma eventual disputa de segundo turno contra Flávio Bolsonaro.
A movimentação reforça a tentativa do candidato petista de avançar sobre um segmento do eleitorado no qual enfrenta resistência e que se tornou um dos focos da estratégia eleitoral para a reeleição.




