O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), designou para as 14h do dia 21 de agosto de 2026 a audiência de instrução e julgamento da ação penal que envolve os três acusados de tentar explodir um caminhão-tanque nas proximidades do Aeroporto Internacional de Brasília, na véspera do Natal de 2022. Serão interrogados no ato, que ocorrerá por videoconferência, os réus George Washington de Oliveira Sousa, Alan Diego dos Santos Rodrigues e Wellington Macedo de Souza.
A audiência será presidida pelo juiz auxiliar Diego Martinez Fervenza Cantoario. Na mesma data, serão ouvidas quatro testemunhas arroladas pela Procuradoria-Geral da República (PGR), entre elas o motorista do caminhão de combustível, Jeferson Henrique Ribeiro Silveira, e três integrantes da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) que participaram das investigações: os delegados Jorge Teixeira de Lima e Paulo Renato Alvarenga Fayao, e o agente Bernardo Coelho Jorge Leal.
No despacho, publicado nesta sexta-feira (17/7), o ministro rejeitou os argumentos para absolvição sumária dos réus e determinou que eventuais testemunhas de defesa focadas apenas em antecedentes biográficos sejam descartadas. “Ficando indeferida, desde já, a inquirição de testemunhas meramente abonatórias, cujos depoimentos deverão ser substituídos por declarações escritas, até a data da audiência de instrução”, registrou Moraes.
Crimes contra o Estado Democrático
O processo (AP 2.804) decorre de uma denúncia oferecida pela PGR e recebida integralmente pela Primeira Turma do STF no início de 2026. Conforme o documento de Moraes, os três réus respondem pelas condutas tipificadas nos artigos 288, parágrafo único (associação criminosa armada), 359-L (abolição violenta do Estado Democrático de Direito), 359-M (golpe de Estado) e 261 (atentado contra a segurança de transporte marítimo, fluvial ou aéreo) do Código Penal.
De acordo com o inquérito policial da época, o grupo planejou e instalou um artefato explosivo em um caminhão carregado de querosene de aviação perto do terminal aéreo da capital. O plano só não se concretizou porque o motorista do veículo percebeu o objeto estranho acoplado ao chassi e acionou a polícia, que desativou a bomba.
O objetivo dos acusados, de acordo com as investigações, era provocar o caos e forçar uma intervenção militar para impedir a posse presidencial. Dos três acusados citados no despacho do ministro, apenas Wellington Macedo de Souza apresentou defesa prévia dentro do prazo regulamentar.




