Em tempos de guerra a literatura é, antes de tudo, um antídoto. Sem deixar de ser chama, brasa acesa sobre a pele das coisas. Vaga-lume dentro da alma das pessoas, quando a escuridão domina o ambiente.
D. Gaudio é um arregimentador de pessoas. Ele está sempre preparando alguma cousa, alguma coletânea de prosa ou poesia. A pandemia por Covid não o parou, a guerra não o parará.
Antologia AML* é mais uma tentativa bem sucedida do poeta D. Gaudio no sentido de juntar um punhado de autores/autoras para a presente coletânea.
Um livro de literatura é sempre algo ousado, porque vai de encontro à praticidade neoliberal, na qual cada objeto, cada pessoa, cada instituição, enfim, tem uma função, um objetivo pontual.
Ao contrário, a literatura é um ato de risco, uma cartada ao acaso, um lance da dados. E isso só se torna possível devido à capacidade do(a)s autores/autoras de manipulação da linguagem. Literatura, a arte em geral, é linguagem. No princípio era o verbo. O verbo continua existindo em cada livro de literatura. Neste, inclusive.
Parabéns a todos que fazem parte do livro. Sorte a nossa, leitores e leitoras.
(*Texto da quarta capa do livro Antologia AML)
Ernâni Getirana, professor, poeta e escritor. Lançou recentemente no SALIPI o livro “Morro do Gritador, filho da Ibiapaba: brisa, cruviana & terremotos”. Escreve às quintas-feira para este portal.




