Teresina • quinta-feira, 23 de abril de 2026
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Correios têm prejuízo de R$ 8,5 bi em 2025, e presidente diz que números vão demorar a melhorar

Resultado negativo piorou 226% sobre o prejuízo de R$ 2,6 bilhões de 2024; empresa contratou empréstimo de R$ 12 bi junto a bancos com garantia do Tesouro Nacional

Por admin 23 de abril de 2026 3 min de leitura
Resultado negativo ocorreu mesmo após empréstimo de R$ 10 bi que a estatal tomou junto a bancos com garantia do Tesouro Nacional Foto: André Dusek/Estadão / Estadão

Os Correios registraram prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025, informou a empresa nesta quinta-feira, 23. O número é 226% pior do que o resultado negativo de R$ 2,6 bilhões registrado em 2024.

Segundo a companhia, o balanço reflete uma estrutura de custos elevada e uma queda de 11% nas receitas em relação a 2024.

No ano passado, a empresa foi autorizada pelo Tesouro para tomar um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a um consórcio de bancos, ao mesmo tempo em que começava a implementar um novo plano de reestrutuação.

Segundo o presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, o plano ainda levará tempo para dar resultados. Os recursos do empréstimo não influenciaram o balanço da empresa como receita, mas ajudaram a recuperar a operação da estatal.

“Números ainda vão demorar um pouco a melhorar. A presença universal da empresa é um desafio”, afirmou.

A empresa registrou receita líquida de R$ 17,3 bilhões no ano, uma queda de 11,35% sobre 2024. Os pagamentos judiciais pesaram sobre o caixa da empresa e atingiram R$ 6,4 bilhões, um aumento de 55,12%.

O plano de Demissão Voluntária (PDV) teve adesão de 3748 funcionários, abaixo da meta de 10 mil estabelecida pela empresa. Segundo Rondon, a meta era ousada, e o prazo curto, mas agora a empresa poderá fazer um balanço do plano para novos ajustes.

“A adesão, a nosso ver, não foi baixa. A gente sabia que ter 10 mil de PDV era desafiador. Fizemos um programa curto, para ter um balanço e aí avaliar. O plano traz essa flexibilidade, não é rígido. O plano prevê que para cada ação a gente faz um balanço, enxerga o resultado e adota ou não outra ação complementar”, afirmou.

Rondon apontou para a queda de R$ 2,3 bilhões em receitas da empresa, ao mesmo tempo em que os custos são fixos.

“De onde está vindo esse resultado? Primeiro, é uma parte de queda de receitas, de R$ 2,3 bi. Ela acontece, o primeiro fator importante é o ciclo vicioso. A dificuldade de caixa afeta fornecedores, a operação, macula a capacidade de aumentar volume e novos contratos. Mas R$ 2,3 bi não explicam R$ 8,5 bi. A receita está estável em termos nominais, temos que melhorar isso”, afirmou.

Ele explicou que o aumento dos passivos judiciais visou dar mais transparência sobre o balanço da empresa, com reconhecimento desses gastos por meio de provisões.

“O segundo fator que é relevante é o aumento de provisões por passivos judiciais. Esse aumento não é aumento efetivo das ações, mas do senso de transparência de se reconhecer no balanço esse passivo judicial.

Ele citou os reajustes salariais pela inflação, que é garantido por lei, e que pressiona o caixa da empresa.

“O outro ponto que já começa a aparecer é a despesa geral. Ela não para, a estrutura de custos é muito rígida, com característica de custos fixos. Quando cai, não conseguimos fazer o ajuste. Tem reajuste salário pela inflação com tese judicial consolidada”, disse.

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