Em carta aberta divulgada nesta terça-feira (17), familiares de Eliza Samúdio voltaram a cobrar providências contra o ex-goleiro Bruno Fernandes, condenado pela morte da jovem e atualmente considerado foragido pela Justiça do Rio de Janeiro. O posicionamento, revelado pela coluna Mirelle Pinheiro do Metrópoles, expressa indignação diante do que classificam como sucessivas falhas no cumprimento da pena.
No documento, Sônia Fátima Moura, mãe de Eliza, e Maria do Carmo dos Santos, madrinha de Bruninho, pedem que a Vara de Execução Penal investigue deslocamentos feitos por Bruno nos últimos anos e que o Ministério Público atue com rigor diante das violações. “Pedimos, ainda, que Bruno Fernandes seja responsabilizado criminalmente pela fuga e por cada violação cometida. E pedimos que o Estado brasileiro reconheça que, ao tratar um feminicida com tamanha leniência, envia uma mensagem perigosa à sociedade: a de que o crime compensa, a de que a vida de mulheres como Eliza não vale nada”, afirmam.
Segundo o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, Bruno descumpriu condições do livramento condicional, o que levou à revogação do benefício e à expedição de mandado de prisão. Ainda assim, ele não se apresentou às autoridades. A defesa recorreu, mas, até nova decisão, ele segue foragido.
A carta também destaca um histórico de descumprimentos, como a ausência de atualização de endereço e o não comparecimento para assinatura de termos obrigatórios desde 2023. As familiares relatam que, mesmo assim, não houve resposta imediata do sistema judicial.
Viagens para estados como Minas Gerais, Espírito Santo e Acre, inclusive para participação em jogo de futebol sem autorização, aumentaram a revolta da família, que vê na situação uma afronta, especialmente porque o corpo de Eliza nunca foi encontrado.
Até quando casos como esse ficarão sem resposta?
Para Sônia e Maria do Carmo, a sensação de impunidade é contínua e dolorosa. Elas afirmam que o contraste entre a exposição pública de Bruno e o sofrimento da família evidencia falhas graves no sistema. O luto sem corpo, a ausência de respostas e a falta de responsabilização efetiva ampliam a indignação. Segundo elas, não se trata de vingança, mas de garantir que a lei seja cumprida e que crimes dessa gravidade não sejam relativizados pelas instituições.




