InícioDestaquesArmazenamento de grãos no Brasil deve atingir 221 milhões de toneladas

Armazenamento de grãos no Brasil deve atingir 221 milhões de toneladas

Capacidade de armazenamento aumenta, mas ainda assim está abaixo da colheita projetada para a safra 2025/26; MT lidera gargalo

A capacidade estática de armazenagem de grãos no Brasil deve atingir 221,8 milhões de toneladas neste ano. A projeção é da consultoria HN Agro, que analisa a trajetória da infraestrutura logística no país, entre os anos de 2010 e 2026. Apesar do crescimento contínuo, o setor ainda enfrenta um déficit severo em relação às colheitas brasileiras, atualmente estimada em 354 milhões de toneladas. Ou seja, há um gargalo de 132 milhões de toneladas.

 

O relatório aponta, ainda, um dado relevante: a evolução da estocagem no país aumenta mais nas fazendas do que nas empresas, cooperativas ou portos. O estudo mostra que, em 2026, a capacidade de armazenamento nas propriedades rurais represente 16,5% do total nacional, o que equivale a aproximadamente 36,7 milhões de toneladas. 

Historicamente, a participação do armazenamento “da porteira para dentro” tem apresentado um crescimento gradual. Em 2010, a modalidade representava 14,9% da capacidade brasileira, subindo para 16,5% atualmente. No entanto, mesmo com o avanço, o relatóriomostra que a infraestrutura não acompanha o ritmo da produtividade recorde, especialmente nas culturas de soja e milho. A escassez de armazéns obriga muitos produtores a venderem a safra imediatamente após a colheita, com preços menos favoráveis, ou a utilizarem silos bolsa como solução temporária.

Mato Grosso lidera déficit

A análise por unidades federativas revela disparidades regionais importantes sobre os gargalos logísticos. De acordo com os dados da HN Agro, Mato Grosso é apontado como a região com o maior déficit de armazenamento do país. O estado, que é o maior produtor de grãos do Brasil, enfrenta dificuldades para escoar e guardar a produção de soja e milho, o que gera pressões sobre o custo do frete e a viabilidade econômica do setor.

Veja o ranking por estados:

O panorama estatístico serve como um alerta para os desafios da infraestrutura agrícola diante da crescente produtividade. Especialistas apontam que a ampliação da capacidade de estocagem é fundamental para garantir a segurança alimentar e a competitividade do agronegócio brasileiro no mercado internacional.

Sem investimentos robustos em silos e armazéns, tanto públicos quanto privados, o campo continuará a enfrentar perdas pós-colheita e dificuldades de gestão de estoque durante as janelas de exportação. O fortalecimento do armazenamento nas fazendas é visto como uma das estratégias para mitigar o impacto desse gargalo histórico na economia brasileira.

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