InícioDestaquesProtestos da esquerda contra dosimetria têm participação reduzida em SP e Rio

Protestos da esquerda contra dosimetria têm participação reduzida em SP e Rio

Um levantamento realizado pelo Monitor do Debate Político, da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a ONG More in Common, revelou que as manifestações realizadas neste domingo (14) contra o projeto de lei da dosimetria — que propõe a redução de penas para condenados pelos atos golpistas ocorridos em 8 de janeiro — atraiu um público visivelmente inferior ao observado nas grandes mobilizações de setembro, que ocorreram em resposta à chamada PEC da Blindagem. A nova legislação em discussão pode beneficiar, entre outros, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

 

Queda na mobilização em comparação com setembro

No Rio de Janeiro, a manifestação político-cultural realizada na Praia de Copacabana atingiu um pico de 18,9 mil participantes, com uma margem de erro de 12%, indicando que entre 16,7 mil e 21,2 mil pessoas estiveram presentes. Em setembro, a mesma praia viu um movimento muito mais robusto, com cerca de 41,8 mil pessoas. Já em São Paulo, onde as manifestações ocorreram na Avenida Paulista, o número de participantes foi de 13,7 mil (entre 12,1 mil e 15,4 mil), também inferior aos cerca de 42 mil manifestantes registrados no protesto anterior.

Como foram feitas as contagens?

As contagens de público foram realizadas através de fotografias aéreas analisadas por software de inteligência artificial, uma metodologia empregada pelo Monitor do Debate Político para estimar o tamanho das multidões. No Rio, o pico de participantes foi registrado às 17h, enquanto em São Paulo, a maior concentração ocorreu às 16h13.

Motivações dos manifestantes e recados ao Congresso

Convocados por frentes e movimentos de esquerda, centrais sindicais e coletivos culturais, os atos deste domingo tiveram como foco principal o projeto de lei da dosimetria, que já recebeu aprovação na Câmara dos Deputados. Este projeto modifica o cálculo das penas para crimes cometidos contra o Estado Democrático de Direito, podendo beneficiar alguns dos envolvidos nos ataques ao Palácio do Planalto. Os manifestantes levantaram a bandeira “Sem anistia” e suas críticas foram direcionadas não só ao conteúdo do projeto, mas também ao Congresso Nacional e ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos).

A natureza das manifestações

No Rio de Janeiro, os eventos combinaram discursos políticos e apresentações musicais, mantendo o formato usado nas mobilizações de setembro. Em São Paulo, a concentração em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp) também foi marcada pela presença de líderes partidários e ministros, que realizaram discursos contundentes contra a anistia e a agenda legislativa atual. Embora artistas e figuras proeminentes tenham comparecido, a largura das calçadas na Avenida Paulista possibilitou a circulação de pessoas ao longo do ato, o que sugere uma mobilização menor em comparação com os protestos anteriores.

Protestos em outras cidades e comparação com a PEC da Blindagem

Além das manifestações em Rio de Janeiro e São Paulo, outras capitais como Brasília também registraram protestos significativos. Apesar disso, a capacidade de mobilização observada neste domingo foi inferior à registrada durante as grandes manifestações contra a PEC da Blindagem, que pretendia aprovar uma série de alterações constitucionais para garantir proteção a parlamentares de ações judiciais. Essa proposta, no entanto, foi posteriormente rejeitada por decisão unânime da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara.

Assim, as mobilizações deste domingo refletem não apenas um descontentamento popular com o atual Projeto de Lei da dosimetria, mas também uma avaliação sobre a capacidade de mobilização da sociedade civil frente a temas polêmicos na política brasileira. O menor comparecimento pode ser um indicativo de mudanças na percepção pública ou na urgência com que os cidadãos se sentem envolvidos nas questões legislativas atuais.

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