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Moraes anula decisão da Câmara e determina perda de mandato de Carla Zambelli

Por Redação 12 de dezembro de 2025 4 min de leitura
Deputada Carla Zambelli - Foto: AFP - EVARISTO SA / RFI

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), anulou a decisão da Câmara dos Deputados que havia mantido nesta quinta-feira (11) o mandato da deputada Carla Zambelli (PL-SP). Em sua determinação, Moraes decretou a perda imediata do mandato da parlamentar, que já enfrenta sérias consequências legais devido à sua condenação criminal.

 

A votação que mudou o rumo da política

O resultado da votação na Câmara, que ocorreu na mesma madrugada, foi revelador. Ao todo, 227 deputados votaram a favor da perda do mandato de Zambelli, enquanto 110 se posicionaram contra, com 10 abstenções. Entretanto, para a decisão ser válida, o total de votos necessários era de 257. Dessa forma, a representação apresentada contra a deputada foi arquivada, o que gerou um cenário de descontentamento entre os opositores.

A decisão tomada por Moraes reverte esse quadro e ressalta a gravidade da situação que Zambelli enfrenta. A deputada foi condenada a 10 anos de reclusão por sua participação na invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em conluio com um hacker. Atualmente, Zambelli está presa na Itália, onde fugiu para escapar das consequências de suas ações no Brasil. Como resultado de sua condenação, ela não pode votar ou exercer a função para a qual foi eleita, apesar de ter tentado manter o mandato por meio da votação favorável de seus pares.

Decisão da Câmara e sua repercussão

Por que a manutenção do mandato gerou controvérsia

A Câmara dos Deputados optou por manter o mandato de Zambelli, ignorando o parecer da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), que recomendava a perda do cargo. O deputado Claudio Cajado (PP-BA), que assinalou a incompatibilidade total do encarceramento em regime fechado com o exercício do mandato, questionou a decisão: “Como alguém pode exercer o mandato estando recluso em regime fechado?” Ele destacou a necessidade de presença física no plenário e nas comissões como um requisito básico para o exercício da função pública.

A representação contra Carla Zambelli foi feita pela Mesa Diretora em razão da condenação resultante de sua participação em crimes graves, o que não apenas mancha sua imagem, mas também gera um estigma sobre a própria Câmara dos Deputados.

As consequências da condenação

Em maio, a Primeira Turma do STF decidiu, por unanimidade, condenar a deputada Carla Zambelli e o hacker Walter Delgatti Neto pela invasão dos sistemas do CNJ e pela adulteração de documentos. Essa condenação estabelece um precedente importante para a responsabilidade de figuras públicas diante de atos ilícitos. A pena de Zambelli foi estipulada em 10 anos de prisão em regime fechado, além de uma multa equivalente a dois mil salários-mínimos. Por sua vez, Delgatti recebeu uma pena de 8 anos e 3 meses e uma multa de 480 salários-mínimos.

Além disso, os dois réus foram condenados a pagar uma indenização de R$ 2 milhões por danos materiais e morais coletivos. A legislação brasileira impõe também que esses indivíduos tornem-se inelegíveis desde o momento da condenação até o término de um período de oito anos após o cumprimento da pena.

Diante desse quadro, a reviravolta determinada por Moraes reforça a necessidade de cuidado e rigor na análise de mandatos e responsabilidades de parlamentares, especialmente em contextos onde a integridade das instituições é colocada à prova.

A situação de Zambelli é um reflexo da fragilidade de um sistema que luta para se manter íntegro em meio a escândalos e decisões polêmicas. É importante que a sociedade civil permaneça atenta a esses desdobramentos, pois o futuro do legislativo brasileiro depende de ações firmes e justas diante da corrupção e da perda de valores que, paradoxalmente, deveriam ser defendidos pelos próprios legisladores.

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