A psicóloga Sirlene Ferreira realiza um importante trabalho de inclusão cultural com crianças e adolescentes neurodivergentes. A profissional afirma que ainda é um tabu incluir pessoas neurodivergentes em uma sociedade que padroniza tudo.
“A inclusão ainda é um paradigma a ser desconstruído na nossa sociedade tão padronizada em vários aspectos. A inclusão vai acontecer a partir do momento que nós abrirmos e estivermos abertos a conviver com os diferentes. A gente vem desenvolvendo isso e a sociedade está hoje mais aberta do que uns anos atrás. Essa inclusão está sendo trabalhada com aproximação, socialização. A gente promove encontro em museus. A gente tem essa proposta de colocar as crianças para assistirem danças, teatro e cinema. A arte alivia a dor e pode ser um caminho muito bonito e agradável para essa queda de paradigma”, destaca.
Sirlene Pereira alerta que os neurodivergentes têm uma dificuldade para se socializar.
“É importante lembrar que os neurodivergentes em sua maioria têm uma questão e uma dificuldade para socializar. Se a sociedade não estiver aberta a isso, vai ser ainda mais complicado”, explica.
A psicóloga critica padrões impostos pela sociedade.
“Nós vivemos em uma sociedade que padroniza tudo: beleza, gênero e uma série de coisa. Então, ser neurodivergente, pensar, ter atitude e dados diferentes do padrão é um grande tabu. As pessoas não estão 100% abertas a este tipo de coisa. Por isso, nós profissionais da área de saúde, devemos, por dever cívico, nos disponibilizarmos a fazer essa condução para sermos condutores desse processo através de encontro, de passeios pedagógicos. Eu sempre sugiro que as crianças, adolescentes e adultos neurodivergentes precisam, por exemplo, da arte cultura. Então, a gente cria e estabelece aqui no Conecta Aba, onde nós trabalhamos. É uma clínica que acabei criando com base na dificuldade do meu filho se socializar”, frisa.
Conforme Sirlene Pereira, as pessoas neurodivergentes enfrentam vários desafios.
“As pessoas neurodivergentes enfrentam vários desafios. A gente quando vai a um restaurante, se tem uma criança que grita involuntariamente, todas as pessoas se assustam e querem entender o que está acontecendo, mas é apenas uma criança tentando ser regular, pois ela está num ambiente que ela está feliz, tá gostando ou incomodada com barulho, com alguém que tocou nela de uma maneira que sente dor. A criança às vezes sente dor com abraço, aperto de mão. Então, a gente precisa começar a normatizar que as pessoas não necessariamente reagem da mesma maneira para coisas parecidas”, completa.

Pessoas neurodivergentes
São pessoas que têm um desenvolvimento cerebral que difere do padrão da maioria das pessoas que são consideradas neurotípicos. Os neurodivergentes são considerados neutoatípicos. Eles têm o desenvolvimento cerebral diferente e isso não é considerado uma doença e nem um transtorno. Eles podem muito bem serem desenvolvidos e trabalhados por pessoas qualificadas. Hoje nós temos muito profissionais que convergem os seus trabalhos para este tipo de desenvolvimento. Então, nós temos as psicólogas especialistas para trabalhar com crianças neurodivergentes, temos as fonoterapeutas, temos as psicomotricistas, as terapeutas ocupacionais que desenvolvem trabalhos focados principalmente para o desenvolvimentos das crianças e dos adultos neurodivergentes.


Sobre Sirlene Ferreira
Psicóloga com mais de 24 anos de experiência clínica e 20 anos de atuação em psicologia educacional. Mãe, esposa, empresária e idealizadora do Instituto Sirlene Ferreira.
Fundadora do Projeto InovarMentes, que leva às escolas uma proposta inovadora de cuidado com a saúde mental que contempla não apenas os alunos, mas também quem cuida deles: professoras, coordenadoras e direção. Acredito que uma escola saudável começa com profissionais saudáveis.




