A Barragem de seu Lauro Cordeiro, construída ali por volta dos anos 1930, durante muito tempo foi um dos pontos mais visitados pelo povo de Pedro II. No começo só o povo preto e pobre tomava banho em suas águas.
Era o povo que, com o passar do tempo, começou a construir casebres nas imediações da barragem. Eram em sua esmagadora maioria palhoças (casas de palha, como eram conhecidas estas moradias).
Seus moradores eram conhecidos como ‘o povo preto’. Eram famílias com uma média de cinco, seis, oito pessoa que viviam em condições precárias, alimentando-se de frutas (mangas, cajus, etc.), caça e pesca. Viviam de pequenos trabalhos.
Os homens faziam biscates na cidade, as filhas mais velhas serviam de cozinheiras (as ‘curicas’) nas ‘casas de família’, as crianças maiores davam recados também para essas famílias abastadas. Eram os ‘meninos de recado’.
Se se fizesse hoje em dia uma pesquisa mais apurada, provavelmente essas zonas habitadas pelo povo preto seriam classificadas como ‘quilombos’[1]. Como muitas crianças tinham a pele negra e o cabelo liso, a conclusão óbvia é a de que seus antepassados teriam sido negros e índios, mistura cujos descendentes os estudiosos chamam de ‘cafuzos’.
Para ver o quanto há para ser pesquisado nas imediações do Jardim de Alice, não é mesmo?
(20 de Novembro, 2025, ‘Dia da Consciência Negra’)



ERNÂNI GETIRANA (@ernanigetirana) professor, poeta e escritor. Autor, dentre outros livros, de “Lendas de Pedro II” e “Debaixo da Figueira do Meu Avô”. Escreve para o Portal News Piauí às quintas-feiras.




