O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirma que pode “ter algumas conversas” com o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, o que indica uma possível via diplomática para a crise regional. A declaração ocorre no momento em que os EUA reforçam a presença militar perto do país sul-americano com a chegada do maior porta-aviões do mundo, o USS Gerald R. Ford, e outros navios de guerra.
Trump não oferece detalhes sobre as possíveis negociações, mas indica que “a Venezuela gostaria de conversar”. Questionado sobre o que queria dizer, o presidente americano responde que conversará “com qualquer pessoa” e que é preciso “ver o que acontece”.
O governo da Venezuela, que não se manifestou imediatamente sobre a declaração, tem afirmado que os EUA estão “fabricando” uma guerra contra Maduro, que enfrenta acusações de narcoterrorismo em território americano.
Reforço militar na Operação Lança do Sul
A Marinha dos EUA anunciou a chegada do USS Gerald R. Ford e de outros navios de guerra para a região, completando o maior reforço de poderio militar americano em gerações. A ação faz parte da “Operação Lança do Sul”, que o governo americano insiste ser uma operação antidrogas, mas que é vista como uma tática crescente de pressão contra Maduro.
Com a chegada do porta-aviões, a operação agora inclui quase uma dúzia de navios da Marinha e cerca de 12 mil marinheiros e fuzileiros navais.
O contra-almirante Paul Lanzilotta, comandante do grupo de ataque, afirma que o reforço protegerá a segurança e a prosperidade dos EUA contra o narcoterrorismo no Hemisfério Ocidental. Já o almirante Alvin Holsey, responsável pelo Caribe e América Latina, declara que as forças americanas estão “prontas para combater as ameaças transnacionais” que buscam desestabilizar a região. Holsey afirma que o destacamento é um “passo crucial para reforçar a determinação em proteger a segurança do Hemisfério Ocidental e a segurança do território americano”.
A chegada do porta-aviões coincide com o mais recente ataque letal dos militares americanos contra uma pequena embarcação suspeita de transportar drogas ilegais no sábado (15), em águas internacionais do Pacífico. O ataque, que matou três homens, foi registrado em vídeo pelo Comando do Sul dos EUA e publicado na rede social X no domingo. Desde o início de setembro, 21 ataques desse tipo no Caribe e no Pacífico realizados pelos EUA mataram ao menos 83 pessoas.
Exercícios e Treinamento na Região
Em Trinidad e Tobago, que fica a apenas 11 quilômetros da Venezuela em seu ponto mais próximo, as autoridades informam que tropas iniciaram “exercícios de treinamento” com o exército dos EUA, com duração prevista para boa parte da semana.
O Ministro das Relações Exteriores de Trinidad e Tobago, Sean Sobers, afirma que é a segunda vez em menos de um mês que há exercícios conjuntos e que eles visam combater o crime violento na ilha, que se tornou um ponto de parada para carregamentos de drogas. Os exercícios incluem fuzileiros navais da 22ª Unidade Expedicionária, estacionados a bordo de navios da Marinha posicionados na costa da Venezuela há meses.
O governo da Venezuela descreve os exercícios como um ato de agressão.
Adicionalmente, o secretário do Exército dos EUA, Dan Driscoll, afirma que as tropas americanas têm treinado no Panamá. Ele declara que os EUA estão reativando a escola de selva no Panamá, prontos para agir em qualquer situação que Trump e o secretário de Defesa precisem.
Apesar de o governo americano insistir que o aumento da presença militar busca impedir o fluxo de drogas para os EUA, Trump indicou que a ação militar se expandiria além de ataques marítimos, afirmando que os EUA “impediriam a entrada de drogas por terra”.
Reações e Pressão
Especialistas afirmam que, embora o USS Gerald R. Ford possa não ser adequado para combater cartéis, ele é um instrumento eficaz de intimidação para Maduro, na tentativa de fazê-lo renunciar.
O governo da Venezuela anunciou recentemente uma mobilização “massiva” de tropas e civis para se defender de possíveis ataques dos EUA. Maduro e membros do Partido Socialista da Venezuela também participam de manifestações neste fim de semana para apoiar a criação de comitês de bairro, que visam aumentar o número de filiados ao partido e promover suas políticas.
Na sexta-feira (13), Trump foi questionado se já havia decidido o que pretendia fazer em relação à Venezuela, e respondeu: “Eu meio que já me decidi”.




