A Wikipedia me diz que: “Maria das Graças Pinheiro Gonçalves Vilhena (Teresina, 10 de fevereiro de 1949 – 5 de agosto de 2025) foi uma poetisa e contista brasileira, associada à Geração mimeógrafo ou Geração 70. Formada em Letras, pela Universidade Federal do Piauí e tem especialização em Língua Portuguesa, pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Ministrava aulas de Literatura e Redação, no Instituto Dom Barreto”.
A senhora Wikipedia, porém, não sabe da grandeza que foi essa mulher quer como ser humano, quer como escritora. O professor Cineas Santos sabe, sim, muito bem e escreveu em seu perfil no dia de ontem quando perdemos a poeta:
UM GOLPE NA ALEGRIA
A vida perdeu Graça Vilhena; a alegria, sua melhor tradução. Professora, poeta, contista, Graça tinha o poder de alegrar qualquer lugar onde estivesse. Como não tenho comércio com a “indesejada das gentes”, Maria das Gracinhas permanecerá viva e sorridente em minhas lembranças. Assim seja!
(Facebook de Cineas Santos, ontem).
Eu mesmo tive o prazer de conhecê-la, trocar ideias com ela. Gravei alguns de seus poemas e compartilhei em minhas redes sociais. Era exímia na composição de seus poemas. “A Gracinha não perde nada” (Cineas).
Participei de duas coletâneas organizadas pelo citado professor nas quais ela também se fazia presente.
Livros dessa escritora: Passo a Pássaro (em parceria com William Melo Soares), Em Todo Canto (1997), Antologia de Poetas Piauienses e Cearenses (obra coletiva), Baião de Todos (obra coletiva – 1996), O Jornaleiro de Gesso (2002), Pedra de Cantaria (2013), Poesia Reunida, Em Todo Canto, Pedra de Cantaria.
Vou deixá-los com dois poemas dela:
NÃO QUERER
não quero essa rotina triste o dedo em riste na menor culpa e a desculpa nos menores atos não quero esse beco escuro esse muro alto onde a gente tenta pacientemente o outro lado não quero censura por meu desacato quando desato consciente o nó indecente das convenções não quero o coração acomodado nem dado a aceitar passivamente as queixas dementes da razão não quero a vida com ressentimento e nem momentos que sejam de abandono em que o sono pareça morte.
(VILHENA, GRAÇA. Não querer, In Em todo canto. Teresina: Corisco / IDB, 1997, p. 19)
ERNÂNI GETIRANA (@ernanigetirana) é professor aposentado do estado (ainda leciona na rede municipal de educação), poeta e escritor. Presidente da APLA – Academia Pedro-segundense de Letras e Artes, membro da UBE-PI, ALVAL e do IHGPI. Formado em Letras pela UFPI, onde também fez mestrado. Membro fundador do Coletivo P2. Pertence aos coletivos ‘Amigos da Literatura’ e Coletivo Literário de São Benedito, CE. É autor, dentre outros livros de “Debaixo da Figueira do Meu Avô” (Livraria Entrelivros, Teresina). Atualmente prepara três novos livros, dentre estes “História, Geografia e Literatura de Pedro II, Piauí”. Escreve às quintas-feiras para o Portal News Piauí.





