Pelo menos 27 pessoas morreram após as fortes tempestades que atingiram o estado do Texas, nos Estados Unidos, provocando enchentes devastadoras em várias regiões. As equipes de resgate ainda buscam dezenas de desaparecidos, incluindo 23 meninas que estavam em um acampamento de verão cristão, às margens do Rio Guadalupe.
As menores de idade participavam do Camp Mystic, fundado em 1926 e considerado um refúgio tradicional para crianças desenvolverem confiança e independência. O local foi tomado por uma enxurrada violenta durante a madrugada de sexta-feira (04/07). Vídeos que circulam nas redes sociais mostram casas, árvores e veículos arrastados pela correnteza em questão de minutos.
“O acampamento foi completamente destruído. Foi muito assustador”, disse Elinor Lester, de 13 anos, que estava entre as campistas resgatadas.
As autoridades haviam emitido alertas sobre o risco de clima severo um dia antes da tragédia e o Serviço Nacional de Meteorologia previa de sete a 15 centímetros de chuva, mas em alguns pontos caíram 25 centímetros, elevando o nível do Rio Guadalupe em mais de sete metros em apenas 45 minutos.
Apesar do alerta, muitos locais foram surpreendidos pelo volume recorde de água. Pelo menos 237 pessoas foram resgatadas com vida.
Guardas florestais informaram que conseguiram chegar ao Camp Mystic ainda na sexta-feira e começaram a retirar crianças que estavam nas áreas mais altas. A jovem Elinor contou que acordou por volta de 1h30 da madrugada, assustada com trovões e com a água subindo ao redor da cabana onde dormia.
As cabanas ocupadas pelas meninas mais novas, algumas com apenas 8 anos, foram as primeiras a ser inundadas. Elas precisaram subir a colina conhecida como Senior Hill para se proteger. Pela manhã, estavam sem comida, energia elétrica ou água potável.
Quando os socorristas chegaram, amarraram cordas para que as crianças atravessassem uma ponte já tomada pela enchente. Algumas meninas foram resgatadas de helicóptero. A mãe de Elinor, Elizabeth Lester, relatou momentos de pânico até reencontrar a filha. Ela também contou que a filha de uma amiga, que trabalhava como monitora, está entre as desaparecidas.
“Meus filhos estão seguros, mas saber que outras pessoas ainda estão desaparecidas está me destruindo por dentro”, disse Elizabeth.
As buscas continuam
Na escola primária de Ingram, transformada em centro de apoio às famílias, parentes se reuniram em busca de informações. Uma menina com camiseta do Camp Mystic foi vista chorando nos braços da mãe, coberta de lama. Dezenas de famílias publicaram apelos e informações em grupos locais do Facebook sobre crianças ainda não localizadas. A ex-monitora do acampamento, Chloe Crane, afirmou que a tragédia abalou toda a comunidade.
Da Redação




