Não sem muita tristeza recebi a notícia do falecimento da professora, crítica de literatura, ensaísta Heloisa Buarque de Holanda, ou, como ela vinha assinando o nome nos últimos dois anos: Heloísa Teixeira, sobrenome materno.
A Helô, vivia descobrindo talentos nas letras. A geração mimeógrafo todinha a teve como avalista. Os hoje consagrados Cacaso, Ana Cristina Cesar, Chacal, dentre tantos outros e outras tiveram seus primeiros poemas publicados por Heloísa.
Em sua vida acadêmica, Heloísa, como ela mesma disse, estudou as obras dos outros e sobre elas escreveu e se sentia bem assim. Disse que isso completava sua vida.
Outra batalha travada por Helô foi o feminismo, isto é, ao tornar-se feminista, ressignificou sua vida completamente. Era uma voz firme ao tratar do tema.
Em entrevista ao jornal O Globo em julho de 2023, explicou a mudança de nome poucos dias antes de assumir uma vaga na ABL: “Não vou morrer sendo Heloisa Buarque de Hollanda. Eu não nasci assim. Quero morrer confortável, de mãos dadas com a minha mãe, que não pôde falar.”
Ela viveu por 85 anos, nos deixou na sexta, 28/03, e legou uma página nas letras brasileiras. Nos últimos tempos desenvolvia um trabalho chamado “Universidade das Quebradas”, que era um olhar amoroso para a juventude periférica, preta. ‘A literatura é um direito do ser humano’, ela dizia. Com a literatura, Helô deu sentido à sua própria razão de ser e de existir, e a razão de ser e de existir de muita gente.
ERNÂNI GETIRANA (ernanigetirana12@gmailcom) é professor, poeta e escritor. Membro das academias ALVAL e APLA (da qual é o atual presidente), pertence à UBE, IHGPI e aos coletivos literários Amigos da Literatura e Coletivo Literário de São Benedito, CE, é membro fundador do Coletivo P2. Autor de diversos livros, dentre eles “Lendas da Cidade de Pedro II” e (Livraria Entrelivros e Tenda da Cruviana). Escreve às quintas-feiras para o Portal News Piauí.