Não usarei de falsa modéstia, a Lenda da Seria do Pirapora, é, certamente, uma das histórias mais conhecidas e belas de todas as gerações de pedro-segundenses, e tenho muito orgulho, sim, de havê-la registrado em livro.
Lá no livro, digo no prefácio que apenas trouxe ao papel o que estava na boca do povo. Aqui eu fui modesto. Tenho plena certeza de que caprichei na narrativa, robusteci o enredo, elucidei detalhes, sugeri outros, trouxe boas metáforas, ambientei o cenário, dei vida aos personagens.
O pássaro da história é um ser com consciência de si e do mundo. Ele é quase uma síntese de todos os observadores do Olho d’Água Pirapora, um dos quatro olhos d’água que ladeiam a cidade de Pedro II, PI, e cenário da trama.
Em um livro que escrevi recentemente, chego a dizer mesmo que o Pirapora foi, em um passado imemorial (6 mil anos), um refúgio da fauna e da flora. E de humanos. Para isso apontam as pesquisas.
E nessas primeiras eras estavam ali seres humanos, que ‘descendo’ desde a Serra da Ibiapaba, ali muito provavelmente descansavam por semanas, meses, inclusive. E não estou sozinho nessa empreitada, as inscrições rupestres da Lapa e de outros sítios também apontam para um passado pontilhado por grupos humanos que viveram na região.
Tais inscrições já foram estudadas por especialistas cujos artigos científicos podem ser encontrados com facilidade nos sites de Internet.
Mas eu dizia que a Lenda da Sereia do Pirapora, uma das nove do meu livro recebera um tratamento cinematográfico deste que a escrevi.
A montagem teatral dessa lenda pelo grupo Urutau a partir de 2023 trouxe, contudo, à narrativa mais uma camada verbo-voco-visual e densidade dramática. Coisa que só o teatro sabe fazer.
Já assisti à peça umas três vezes ou quatro vezes. A cada uma das apresentações, em espaços abertos e fechados, para públicos variados, inclusive para públicos além do pedro-segundense.
O Grupo Urutau, como já afirmei antes em vários momentos é uma das melhores revelações artísticas por estas bandas do Piauí e realizou o Festival Urutau de Teatro na sexta, 22/03, e no sábado, 23/03. O belo evento contou com a participação de grupos visitantes como Cia Rom, Coletivo Capenga, Star Royal e Raízes do Teatro, e ocorreu no espaço AP Viva Feliz.
Por motivo de força maior não pude estar presente, mas a fotógrafa Daylla Uchoa fez belos registros fotográficos.
Ernâni Getirana (@ernanigetirana) é professor, poeta e escritor. Membro criador do Coletivo P2, pertence às academias APLA, ALVAL e ao Instituto Histórico e Geográfico do Piauí. É autor, dentre outros livros, de “Lendas da Sereia de Pedro II”. Escreve para o Portal News Piauí às quintas-feiras.