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Climério e Graça, 4 poemas

Por Redação 29 de junho de 2023 2 min de leitura

Vou cometer uma indiscrição. Uma não, duas. Numa conversa informal dessas que costumava manter com o professor Cineas Santos a bordo da Oficina da Palavra para lançamento de livros, conversa vai, conversa vem e eu falei em alguns nomes de poetas, dentre esses nomes estavam os de Graça Vilhena e Climério Ferreira.

 

De Graça, Cineas me disse “A Gracinha não perde um (poema), não perde um!!!

De Climério, sentenciou o professor: “Velho babão, velho babão! Cada poema dele é uma acontecência!”.

 

NO ESCURINHO DO CINEMA

Poesia do século passado
Magia de luz e sombra numa sala escura
Tecendo filme a filme o sonho encantado
Erigiu um novo tipo de cultura
Lançando aos corações deusas e galãs
Na invenção de uma nova linguagem
Cheia de heróis, repleta de vilãs
No universo resultante da montagem

(Climério Ferreira)

 

ENVELHECER
 não se envelhece
com o passar dos dias
e sim pela descoberta
de que as noites
só servem para dormir

(Graça Vilhena)

O TEMPO E OS IPÊS

O inverno no cerrado se aproxima
Eis o que o roxo do ipê já anuncia
Esse roxo quase lilás é obra-prima
Que o tempo todo ano cria
O tempo é pintor e saltimbanco
Que produz essa pintura primorosa
Ao fim da seca pinta o ipê de branco
Em lugar do amarelo e do rosa

(Climério Ferreira)

 

 

CENA FAMILIAR
 
o avô e a avó tossem
o pai viajou
a mãe talvez volte
 
o menino alheio ao perigo
brinca à sombra do relógio.

(Graça Vilhena)

 

ERNÂNI GETIRANA (@ernanigetirana) é professor, escritor e poeta. Membro da APLA, da ALVAL, do IHGPI. Em Pedro II possui o espaço cultural TOCA DAS LENDAS- Livraria Cruviana. É autor, dentre outros livros, de “Lendas da Cidade de Pedro II” e “Debaixo da Figueira do Meu Avô”. Escreve às quintas-feiras para esta coluna.

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