O técnico Vanderlei Luxemburgo celebrou a classificação do Corinthians para as quartas de final da Copa do Brasil e destacou a resiliência do clube. Derrotado por 2 a 0 pelo Atlético-MG no duelo de ida, o Timão venceu pelo mesmo placar na Neo Química Arena e garantiu a vaga na próxima fase na disputa de pênaltis.
Questionado sobre a opção pela formação com três zagueiros, Luxemburgo evitou entrar em detalhes táticos e afirmou:
– Não vou ficar falando de esquema, vocês tem que analisar. Sou técnico, quem não arrisca não vai ganhar. Vocês analistas que devem analisar o que aconteceu. Força de vontade é obrigação de quem entra em campo. O segundo tempo contra o Fluminense fizemos marcação mais adiantada, roubando bola, que pega o adversário desarmado. Adiantamos a marcação. Fizemos o Atlético-MG dar tiro de meta. Tudo o que tem que ser feito, fizemos para um jogo decisivo. Tínhamos que anular e jogar como Corinthians. O Corinthians nunca está morto em situação nenhuma.
O treinador foi perguntado sobre ter tido coragem de mudar a equipe em um jogo decisivo e enalteceu a trajetória dele no futebol.
– Não quero fazer comparação, minha função é fazer isso. Já ganhei muito título fazendo o que tem que ser feito. As pessoas só conseguem ver coisas ruins, continuo fazendo as coisas que sempre fiz, cheguei até aqui na minha carreira com longevidade e ganhando títulos. Se eu não fizesse nada diferente hoje, não conseguiria a classificação. Não sonhei com isso, foi análise do adversário, e treinei ontem.
O adversário do Timão nas quartas de final da Copa do Brasil será definido por sorteio.
O Corinthians volta a campo no sábado, quando enfrenta o América-MG, no Independência, pelo Brasileirão.
Confira abaixo outros trechos da entrevista de Luxemburgo:
Análise do jogo
– Primeiro tempo nós fizemos o que tinha que ser feito, mas acompanhamos marcando com o olho. Tem que ser com atitude. Fluminense girou bola, teve uma ou outra chance. Tivemos marcação por setor, mas faltou pegada. Adiantei marcação e começamos a roubar bola. Hoje tinha que forçar o Atlético a não sair jogando. Adiantamos a marcação, roubamos a bola, ele ficou com receio de fazer, começou a dar chutão. Vai ter jogos que vou ter que recuar a equipe. Mesmo com o Fluminse não fui marcar na saída de bola, marquei na intermediária. Se for marcar o Fluminense lá na linha alta, eles vão envolver a gente, eles treinam bastante isso.
Deu resposta com a classificação?
– Tenho longevidade, conquistas maravilhosas, ninguém vai manchar isso. Tem uma cultura de perseguir, alguns da imprensa são maldosos. Tem que dizer pra torcida do Corinthians a felicidade de conseguir a classificação. Não vou querer chegar aqui e pedir prazo. Não tem que dar resposta a ninguém, as coisas estão acontecendo. Estava difícil conquistar, mas não impossível. Falei pros jogadores, hoje não é desafio nem impossível, é oportunidade de fazer história. Não podemos tomar gol. Temos goleiro pegador de pênalti.
Melhora do time
– Estamos em evolução, vejo todo os dias. O jogo contra o Flamengo marcou isso. Acertamos com o Paulinho, uma pena que ele machucou. Existe atleta, parte física, emocional, técnica, tática, equipe, uma série de coisas que te fazem ganhar. Estamos crescendo num todo. A parte emocional foi difícil. Os caras tomando muita pancada. Temos elenco aqui, esse que vai. Não temos como fazer diferente. Está tudo caminhando bem, mas não acabou.
Prazo para o time jogar melhor
– Não pedi nada, não sei o que a imprensa vem com 10 jogos. O Corinthians não permite nada, é jogo a jogo. Cada jogo é matar um leão e correr de dois. Cada dia é cobrança, porrada. A gente sabe que nós perdemos, mas sabíamos que poderíamos virar o negócio.
Sistema defensivo
– Falam da defesa quando toma gol, esquecem de analisar a origem do gol. Onde começa a ficar vazado. A marcação não começa na defesa, ela termina na defeas. O Yuri marcou demais, o Renato marcou demais. Paramos jogadas com falta, roubamos bola do rival na zona de meio campo, no ataque, até chegar na defesa. A defesa cresce. Tem que analisar a origem da jogada.
Zagueiros
– O Bruno não tem nada a ver (com renovação), ele está jogando, tem contrato até o fim do ano. Os jogadores que eu tirei, o Balbuena, o Du Queiroz estavam de saída, agora o Bruno tem contrato, vou coloca pra joga. Não resolvo contrato, quem resolve é jogador jogando, mostrando que quer ficar, junto com dirigentes. É um jogador que mostra para todos que pode ser contratado, mas não depende de mim. O Murillo é um jogador de potencial muito grande, tem personalidade Acerta mais do que erra. Vou incluir o Gil, que fez grande partida hoje. Participou de jogadas importantes.
Yuri Alberto
– Ele perdeu um gol. Perdeu o pênalti. Ele falou que queria bater. Mas se você souber a importância que o Yuri teve contra o Fluminense e hoje… ele marcou todo mundo do Fluminense, deu pique, deixou Roger mais sossegado. Ele sustentou muito bem a bola na frente para dar tempo de chegarmos. Ele foi importante pra caramba pra cansar o adversário.