28.8 C
Teresina
sábado, abril 5, 2025
Dengue
InícioDestaquesTerminais da Praça da Bandeira e do Fripisa são interditados no 2º...

Terminais da Praça da Bandeira e do Fripisa são interditados no 2º dia de greve dos trabalhadores do transporte público de Teresina

Crise do transporte público da capital já se arrasta desde 2017. Prefeitura cadastrou 100 veículos para suprir demanda durante o movimento trabalhista.

Os terminais de ônibus da Praça da Bandeira e da Praça do Fripisa, no Centro de Teresina, foram interditados na manhã desta terça-feira (14) durante o segundo dia de greve dos motoristas e cobradores do transporte público da capital.

Um ônibus foi estacionado na transversal para obstruir a Rua Areolino de Abreu, por volta das 10h, no acesso à Prala da Bandeira. Cerca de uma hora depois, o trecho foi liberado.

Na Praça do Fripisa, motoristas queimaram pneus e fecharam a rua Arlindo Nogueira, no cruzamento com a rua Coelho Rodrigues.

A interdição aconteceu pouco antes das 12h. A situação causou engarrafamento no local e prolongou a espera dos usuários que estavam nas paradas do terminal e aguardavam os veículos alternativos cadastrados pela prefeitura para prestação do serviço durante o movimento grevista.

A Polícia Militar do Piauí (PM-PI) foi acionada e ao chegar no local os policiais tentaram isolar as chamas para que o fogo chegasse ao fim e a via fosse ser liberada o quanto antes.

Manifestantes tocaram fogo em pneus e interditaram rua em frente à Praça do Fripisa, Centro de Teresina — Foto: Lucas Marreiros/g1

A Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (Strans) também esteve no local e orientou condutores enquanto a via não era liberada. A situação foi resolvida momentos depois.

Strans orientou trânsito no local enquanto a via era liberada novamente — Foto: Lucas Marreiros/g1

Praça da Bandeira

A Guarda Civil Municipal e a Polícia Militar do Piauí (PM-PI) foram acionadas e continuam no local. Viaturas foram colocadas logo no acesso ao terminal para desviar os veículos e evitar congestionamentos enquanto a situação é resolvida.

O terminal é um dos mais movimentados de Teresina. Nele, milhares de usuários têm acesso a diversas linhas, que circulam por todas as zonas da capital.

Terminal da Praça da Bandeira é interditado durante greve dos motoristas e cobradores de ônibus em Teresina — Foto: Lucas Marreiros/g1

Com a greve, os ônibus do sistema de transporte já não estavam circulando em sua totalidade. Após a interdição de um dos principais trechos do Centro da capital, os ônibus alternativos, cadastrados pela prefeitura para atender a população, também não puderam circular.

De acordo com a capitã Roserlane Maciel, da Mediação de Conflitos da PM-PI, o ato teve participação do sindicato e integrantes da categoria.

“Eles queriam chamar a atenção do poder público devido a algumas empresas estarem há mais de 45 dias sem pagar, conforme informação deles, os funcionários, que estão passando necessidade, se alimentando através de cestas básicas e ajuda dos demais companheiros, então eles fizeram isso para chamar atenção”, informou.

A capitã afirmou que já foi negociada a retirada do veículo da via. Ao , o motorista do veículo estacionado, Raimundo Nascimento Filho, contou que dirige em uma linha da zona rural e que estava indo para garagem quando foi parado por colegas que o “convocaram” a integrar o movimento.

Terminal da Praça da Bandeira é interditado durante greve dos motoristas e cobradores de ônibus em Teresina — Foto: Lucas Marreiros/g1

“Me disseram para colocar ele atravessado. Eu falei que não podia, mas disseram para botar. Depois eu fui tirar uma foto e tiraram a chave do contato, secaram um pneu também. Agora o gerente vem pra cá trazendo a chave reserva para voltar para a garagem”, relatou.

Logo após a chegada da chave reserva a via foi liberada, por volta das 11h. Aos poucos, veículos alternativos cadastrados pela prefeitura e os ligeirinhos começaram a circular na via, coletando passageiros.

Uma das usuárias do transporte público de Teresina, a recepcionista Belina Olival, disse ao g1 que as formas alternativas de transporte são uma medida paliativa, mas que pesam no orçamento dos usurários.

“Não resolve o problema porque nós trabalhadores pagamos com o passe, que já foi descontado do nosso salário e aí nós pagamos novamente, porque eles recebem em dinheiro”, lamentou.

Ela mora no Torquato Neto, na Zona Sul, e trabalha no Centro. “É longe, tenho que sair se casa cinco horas para estar no trabalho às 7h30. Dependo de ônibus todos os dias e não aguento mais essa situação, que já se arrasta há anos. O que o povo de Teresina quer é que resolvam esse problema o quanto antes, porque está insustentável”, declarou.

Segundo dia de greve

Acontece nesta terça-feira (14) o segundo dia de greve dos cobradores e motoristas de ônibus em Teresina. Os trabalhadores reivindicam o pagamento de salários atrasados, e que seja assinada uma nova convenção coletiva.

O Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros de Teresina (Setut) informou que fez uma oferta de aumento de salário à categoria, que não aceitou a proposta. Veja a nota completa do Setut no final da reportagem.

No início da manhã desta terça-feira (14) a movimentação estava baixa nas paradas de ônibus do centro da capital, os pontos mais movimentados da cidade. Os usuários buscam alternativas, como dividir carros de aplicativos, para evitar o transporte público, caronas ou os “ligeirinhos”, transporte alternativo feito em carros de passeio

Terminal da Praça da Bandeira, no Centro de Teresina, durante a greve dos motoristas e cobradores de ônibus — Foto: Lucas Marreiros/g1

Conforme a legislação, durante o movimento trabalhista, até 70% da frota pode ficar parada, havendo a obrigatoriedade de circulação de pelo menos 30%. Em caso de descumprimento, o sindicato dos trabalhadores pode ser punido com multa. A Prefeitura, através da Superintendência de Transporte e Trânsito (Strans), contratou uma frota veículos alternativos, para compensar a falta dos ônibus regulares.

O presidente do Sintetro, Antônio Cardoso, disse que a greve foi um acordo entre os trabalhadores. Segundo ele, alguns motoristas e cobradores não tem recursos para ir até o trabalho, pela falta de pagamentos.

“Não estamos indo em garagem impedir saída de carros, é o trabalhador mesmo que não está indo trabalhar. Alguns deles estão há 44 dias sem receber, desde fevereiro, tem cinco empresas nessa situação. E o nosso salário é o mesmo desde 2019”, afirmou Antônio Cardoso.

Os trabalhadores fizeram uma manifestação na segunda-feira (13) em frente à Prefeitura de Teresina e aguardavam uma reunião com o prefeito Dr. Pessoa (Republicanos), que não aconteceu.

A assessora jurídica do Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Teresina (Setut), Nayara Morais disse que o problema acontece porque a Prefeitura de Teresina teria deixado de fazer repasses de recursos às empresas que compõe o sistema.

“Os empresários continuam buscando dialogo para manter o serviço. Mas é uma situação muito difícil porque durante todo esse tempo, nunca houve uma solução em que município assumisse obrigações contratuais e desse o equilíbrio econômico como foi definido em contrato para que o sistema consiga funcionar adequadamente”, disse Nayara Morais.

Greve de ônibus

 

A greve dos motoristas e cobradores de ônibus em Teresina começou na segunda-feira (13). De acordo com o sindicato da categoria, o Sintetro, os trabalhadores reivindicam o pagamento de salários atrasados, no auxílio-alimentação e na assistência à saúde.

Prefeitura de Teresina cadastrou veículos alternativos para suprir demanda durante a greve — Foto: Reprodução/TV Clube

Por nota, a Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (Strans) informou que cadastrou 100 veículos (de um total de 254 veículos do banco de dados do órgão), entre ônibus, micro-ônibus e vans, para circularem durante o período de greve. Leia o comunicado do órgão na íntegra ao fim da reportagem.

“É horrível essa espera. Estamos aqui há horas e não passa nenhum ônibus, só lotado. Estou esperando há mais de duas horas e nada de ônibus”, relatou uma usuária que aguardava ônibus em uma parada na avenida principal do Dirceu Arcoverde.

Parada de ônibus na avenida principal do Dirceu Arcoverde, Zona Sudeste de Teresina — Foto: Reprodução/TV Clube

Outra usuária lamentou que o problema no transporte público da capital obriga os usuários a gastarem mais com trasportes alternativos como os de aplicativo.

“É triste. Pegando moto Uber, Uber, carona. Temos que nos virar para ir trabalhar. A gente só recebe R$ 8,00 de vale por dia e tem que pagar entre R$ 16,00 e R$ 20,00 por dia, é complicado”, disse.

“O prefeito e os empresários não resolvem nada. A vontade que tem é de ficar em casa, mas a gente tem que ir trabalhar, então o jeito é se virar”, completou a usuária.

Outra usuária relatou que chega a pagar entre R$ 20 a R$ 30 em transporte por aplicativo. “É muito difícil para quem trabalha e precisa de ônibus. É uma situação absurda”, lamentou.

Paralisações por salários atrasados e tentativa de acordo

 

Desde quarta-feira da semana passada (8), os trabalhadores de algumas das empresas de ônibus realizavam paralisações de até 3h, duas vezes por dia, reivindicando o pagamento do salário, que está, em alguns casos, há mais de 40 dias em atraso.

Somado a isso, a categoria também esperar ter demandas atendidas pela convenção com as empresas. Os trabalhadores recebem, atualmente, salários de R$ 2 mil para os motoristas e R$ 1.302,00 para os cobradores, com auxílio-alimentação de R$ 170,00 e assistência à saúde de R$ 70,00.

A categoria reivindica reajuste de 20% acima desse valor em todas as categorias (motorista e cobrador), auxílio-alimentação de R$ 600,00 e assistência à saúde de R$ 84. Os trabalhadores querem, ainda, receber 60% do salário no dia 5 de cada mês e o restante (40%) com o ticket e o plano no dia 20.

O sindicato dos trabalhadores, com o das empresas, o Setut, a Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (Strans) e a Prefeitura Municipal de Teresina (PMT) se reuniram com o Tribunal Regional do Trabalho (TRT), na sexta-feira (10), para tentar chegar a um acordo.

Contudo, não houve entendimento entre as partes. O Setut emitiu uma nota (veja na íntegra ao fim da reportagem) na qual afirma ter proposto reajuste de 6% nos salários (a inflação está em 5,7% ), 20% no auxílio-alimentação e 33% na assistência à saúde. Mas a proposta não foi aceita pelos trabalhadores.

Nota da Strans

 

A Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (Strans) informa que diante do indicativo de greve dos motoristas e cobradores anunciada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Empresa de Transportes Rodoviários (Sintetro), prevista para início nesta segunda-feira (13), e assim que recebeu o ofício por parte do sindicato dos trabalhadores, deu início a convocação e ao cadastro de veículos para circularem durante o período de greve no transporte público na Capital.

A Strans informa que já consta no sistema da Gerência de Licença e Concessão, setor responsável pelo cadastro e vistoria dos veículos, para operar durante a greve dos trabalhadores do transporte público, um total de 100 veículos cadastrados (de um total de 254 veículos do banco de dados do órgão) entre ônibus, micro-ônibus e vans que já foram vistoriados e com prévia autorização do órgão para operar nas diversas linhas de ônibus determinadas a cada veículo cadastrado pela Strans, e assim atender aos usuários do transporte público na Capital, a partir desta segunda-feira (13).

Além dos veículos cadastrados para reforço, o sistema dispõe de 20 vans que operam no transporte alternativo e vão continuar atendendo a população neste período de greve dos trabalhadores do transporte público. Importante destacar que durante a greve dos trabalhadores do transporte público, os consórcios que operam o sistema do transporte público precisam disponibilizar a porcentagem mínima de 30% dos veículos da ordem de serviço determinada pela Strans, seguindo o que determina a legislação em caso de greve.

Por fim, destacamos que em caso de dúvidas sobre a documentação para realizar o cadastro dos veículos, o interessado pode entrar em contato com o setor responsável através do WhatsApp (86) 3122-7609.

Nota do Setut

 

O Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros de Teresina (SETUT) informa que na tarde desta sexta-feira (10), a entidade esteve reunida, no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), juntamente com a Procuradoria Regional do Trabalho, Prefeitura de Teresina e os dois sindicatos, patronal e laboral, onde foram amplamente discutidas todas as questões que envolvem uma negociação salarial a respeito do transporte urbano, serviço público essencial para toda a sociedade.

Ao final, o sindicato patronal, sensibilizado, após os apelos do Desembargador Manoel Edilson, Procurador Chefe do Trabalho Dr Edno, bem como dos representantes da prefeitura, ofertou para seus colaboradores, num esforço sobre-humano, um reajuste de 6% nos salários (a inflação está em 5,7% ), 20% no auxílio alimentação e 33% no auxílio saúde. Para surpresa de todos e indignação dos representantes do setut, os sindicalistas, representantes sindicato dos motoristas, não aceitaram a proposta e afirmaram, categoricamente, que iriam manter a greve, com indicativo de iniciar na segunda-feira, em desrespeito total à população teresinense.

O Setut reitera seu total compromisso com a população da capital, buscando diálogo permanente tanto com o sindicato laboral, quanto com a Prefeitura, para manter o bom funcionamento do sistema de transporte da capital.

Fonte: G1

 

Comentários

admin
adminhttps://newspiaui.com
PIAUÍ NO NOSSO CORAÇÃO!
VEJA TAMBÉM
- CET -spot_img
- PROCAMPUS -spot_img

MAIS POPULARES

SEBRAE - PI