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Rishi Sunak é o novo premier do Reino Unido

O Reino Unido terá pela primeira vez em sua História um chefe de governo não branco, hindu e descendente de indianos. Após a desistência dos outros concorrentes, os parlamentares do Partido Conservador escolheram nesta segunda-feira o ex-ministro das Finanças Rishi Sunak como seu líder e, consequentemente, o quinto primeiro-ministro que os britânicos terão em seis anos.

Segundo colocado na disputa que levou Liz Truss ao poder no mês passado, Sunak é defensor de uma maior ortodoxia econômica e terá como missão principal consertar o caos deixado por sua antecessora. Pressionada após seu plano econômico ultraliberal provar-se catastrófico, ela renunciou na sexta após 44 dias no cargo, aumentando os problemas para um partido humilhado e um país à beira da recessão e onde a inflação de 10,1% em termos anualizados é a maior em quatro décadas.

O novo e bilionário líder conservador foi escolhido em um processo acelerado, que tirou a decisão final da mão de seus filiados — como o partido tem a maioria no Parlamento desde as eleições de 2019, seu líder torna-se também chefe de governo no sistema parlamentarista britânico. Ele será empossado em um audiência com o rei Charles III, transformando-se aos 42 anos no governante mais jovem do país desde o século XIX. A previsão é que a cerimônia aconteça até quarta, no máximo.

Pelas regras conservadoras, cada candidato que decidisse concorrer à liderança precisaria receber o endosso de ao menos 100 dos 357 parlamentares da legenda até às 14h desta segunda (10h no Brasil). Até pouco antes do prazo, Sunak já tinha 202 apoiadores, e sua adversária única, Penny Mordaunt, lutava contra o relógio para chegar ao patamar necessário.

Um minuto antes do limite final, ela desistiu da disputa, afirmando em um comunicado que os “tempos são sem precedentes” e que está claro que seus “colegas sentem que precisamos de certeza nestes tempos”. Segundo ela, é necessário que o partido se una e trabalhe junto “pelo bem da nação”:

“Nós escolhemos nosso próximo primeiro-ministro. Essa decisão é histórica e mostra, mais uma vez, a diversidade e talento no nosso partido. Rishi tem meu apoio total”, disse ela, que havia ficado em terceiro na disputa que levou Truss ao poder, afirmando que “há muito trabalho a ser feito”.

Pedidos de eleição geral
O placar final da disputa não foi divulgado, mas as contagens dos veículos de comunicação mostravam que tinha algo entre 25 e 30 endossos. Apenas se Mordaunt alcançasse a marca, a decisão final seria dos filiados do Partido Conservador, que participariam até sexta-feira de uma votação on-line. Neste cenário, ela seria a favorita.

Seria, ainda assim, uma decisão pouco representativa dos britânicos: há apenas 172.437 conservadores de carteirinha, ou 0,3% dos 66 milhões de habitantes do país. Como Sunak, também são majoritariamente homens, mas ao contrário do novo líder conservador, são brancos e mais velhos.

Os pedidos da oposição para que as eleições previstas para janeiro de 2025 sejam antecipadas foi imediato — apelos fortalecidos por pesquisas que preveem um desempenho desastroso para os conservadores caso o voto fosse hoje. Segundo o agregador de levantamentos do site Politico, os trabalhistas teriam 53% dos votos, contra 21% dos conservadores. Em 6 de setembro, quando Truss tomou posse, o placar era de 42% a 31%.

“Os conservadores coroaram Rishi Sunak como primeiro-ministro sem que ele dissesse sequer uma palavra sobre como governaria o país, e sem que ninguém tivesse a possibilidade de votar”, disse a vice-líder trabalhista, Angela Rayner, em comunicado. “Precisamos de uma eleição geral para que o público tenha voz no futuro do Reino Unido.”

Segundo ato frustrado
A disputa só não se prorrogou até sexta porque o ex-premier Boris Johnson, antecessor de Truss, anunciou no domingo que não tentaria um segundo ato. Ele nunca havia se lançado formalmente como candidato, mas sinalizou a aliados que estaria na corrida e antecipou a volta de suas férias no Caribe em meio ao caos político britânico.

Apesar de o ex-premier dizer que havia conseguido o apoio de mais de 100 colegas, incluindo sete ministros, apenas cerca de 60 nomes o endossavam formalmente. Ainda há resistência a Boris, cuja queda ocorreu após meses de escândalos sucessivos, de festas na sede do governo durante a quarentena para a Covid-19 à promoção de aliados acusados de assédio sexual.

Foram as renúncias de Sunak e de seu amigo Sajid Javid, então ministros das Finanças e da Saúde, que catalisaram a queda de Boris no início de julho — 60 funcionários em diferentes escalões do governo os seguiram nas 48 horas seguintes. A manobra fez correligionários críticos o acusarem de implodir propositalmente o governo, mas o consolidou como um dos favoritos à sucessão, chegando a vencer na fase preliminar daquela corrida, restrita ao voto dos parlamentares.

A decisão final coube aos filiados do Partido Conservador, contudo, que preferiram as promessas de Sunak: entre elas, o que viria a ser seu plano econômico ultraliberal com os maiores cortes fiscais em 50 anos. Seu adversário, por outro lado, prometia “consertar a economia”, mantendo os impostos alto até que a situação pós-pandemia, complicada pelo divórcio britânico da UE e pela crise energética desencadeada pela guerra na Ucrânia, se ajeitasse.

Promessas econômicas
A tendência é que ele mantenha Jeremy Hunt, outro defensor do conservadorismo fiscal, à frente das Finanças — Hunt foi nomeado há apenas 10 dias, após Truss demitir Kwasi Kwarteng, em uma tentativa fracassada de salvar seu próprio pescoço. Um plano a médio prazo para reduzir a dívida britânica deve ser apresentado ao Parlamento no dia 31 de outubro, como prometido antes mesmo da queda de Truss.

Parlamentar mais rico de todo o Reino Unido, que fez fortuna trabalhando para empresas financeiras como a Goldman Sachs, Sunak tornou-se um dos políticos mais célebres com seu enorme pacote de auxílios para mitigar os efeitos da Covid-19. Até pular do barco naufragante, era braço-direito de Boris e um dos principais rostos de sua gestão, chegando inclusive a ser multado junto com o premier por participar de festas durante a quarentena.

Ao contrário de Boris, contudo, tem fama de ser superorganizado, meticuloso, e toma cuidado extremo com sua imagem. Talvez seja uma consequência de sua criação, como o mais velho dos três filhos de um médico e de uma farmacêutica. Indianos, seus avós emigraram da África Oriental britânica para na década de 1960.

Casado com a filha de um bilionário indiano — que nos últimos meses se viu envolvida em um escândalo por não pagar Imposto de Renda no Reino Unido —, sua ascensão vem oito anos após o referendo do Brexit, ao qual Sunak foi favorável. Na época, uma das pautas principais era o endurecimento da política anti-imigração, em meio à crise que havia começado no ano anterior.

Fonte: globo.com

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