Incidente registrado na tarde da última terça-feira, 27 de setembro, quando um ônibus da empresa Timon City foi incendiado na Praça Saraiva, no Centro desta capital, trouxe, além do choque do inusitado, a exposição de um grave problema estrutural vivido nos dias correntes: a falta de preparo público para lidar com problemas mentais da sociedade.
No incidente, um jovem de 24 anos de idade ateou fogo no veículo, sendo contido por populares e pela Guarda Municipal momento após a ação. Efetuada a prisão, o jovem passou pela audiência de custódia e, sob a suspeita de ter cometido o delito em meio a uma crise psicótica, foi encaminhado ao hospital do Bairro Monte Castelo, onde foi atestado o transtorno mental. Ainda assim, as autoridades envolvidas no caso decidiram por encarcerar o rapaz na Penitenciária Agrícola Major César de Oliveira, onde se encontra recolhido a uma cela junto com dois outros detentos.
O portal newspiaui.com conversou com o pai do acusado. Inconformado, ele disse que tem tentado tirar o filho do sistema prisional, mas a burocracia trava o procedimento, a partir da demora no fornecimento do laudo que comprova a condição de autista vivida pelo filho. Ainda de acordo com o pai, o filho faz uso de medicações contínuas e a ministração dos remédios está sendo dificultada pelos agentes daquela casa de detenção, onde esteve para fornecer e orientar o uso da medicação.
O que se apura deste fato é o flagrante despreparo por parte tanto das autoridades do Judiciário, quanto da força policial, agravada mais ainda pela falta de condições do pessoal do sistema prisional. Falta estrutura de pessoal e ambulatorial para o atendimento de casos desta natureza. Não há a disponibilidade de psiquiatras, ou mesmo de psicólogos, para diagnosticar e orientar o tratamento e a forma de acompanhar casos semelhantes, apesar do crescente número de pessoas afetadas por distúrbios mentais, especialmente autistas, como é a situação do jovem que ateou fogo no ônibus nessa semana.
O pai do jovem encarcerado fez um desabafo: “é preocupante como pessoas são presas por assalto, comercialização de drogas, assassinatos, e saem das audiências de custódia pela porta da frente das delegacias, enquanto pessoas com problema mentais permanecem aprisionadas”, lamenta.
Por outro lado, ainda conforme o desabafo do pai, “pessoas com esse tipo de transtorno mental deveriam estar em locais adequados, como o Hospital Psiquiátrico Areolino de Abreu, onde o corpo de servidores é capacitado para lidar com essas ocorrências de surto, e não em casas de detenção, onde não há a observação dos cuidados com medicação e a própria segurança dos detentos, seja aquele com problema mental, seja o que está encarcerado na mesma cela, pois os surtos podem se repetir”, destaca.
Da Redação