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Artigo – A Biblioteca Comunitária ‘Casa da Mãe Ana’

A palavra ‘biblioteca’ vem da língua grega ‘bibliotheke, que chegou a nós pela palavra ‘biblioteca’, derivada dos radicais latinos BIBLIO (livro) e TECA (depósito). Nas últimas duas décadas do século XXI a ideia de biblioteca adquiriu outras categorias espaciais além do espaço físico, e chega ao espaço eletrônico, ao espaço digital e ao espaço virtual.

As bibliotecas expressam a vontade dos seres humanos em documentar os fatos mais importantes de suas comunidades, de seus clãs. As primeiras bibliotecas, para alguns historiadores remontam há 2.500 anos antes de Cristo. O acervo das bibliotecas já foi, por assim dizer, mineral (mensagens escritas em pedras, tijolos, etc.), depois tornou-se vegetal (papiro e livros físicos) e chega ao formato binários (pares de informação codifica em zeros e uns, os bites).
Em se tratando de Brasil, a primeira biblioteca só chegaria, literalmente, em 1808, com a vinda da família real portuguesa. Em 1910 é criada, por decreto, a Fundação da Biblioteca Real do Rio de Janeiro. Pouquíssimos tinham acesso às bibliotecas, já que o analfabetismo era galopante. Em 1889 nossa população era de 13,7 milhões, com 85% de analfabetos.

A sociedade brasileira, como sabemos, foi organizada em torno da produção de produtos tropicais para abastecer os mercados metropolitanos. Durante séculos todo o sentido da vida social no Brasil só será encontrado nessa forma de ligação com o mundo Europeu. Era o Mercantilismo mantido a todo custo pela escravidão de indígenas e africanos.

A criação, pois, de uma biblioteca no Brasil ainda hoje é um fato inusitado e ousado. Um ato de resistência à ignorância que massacra e domina. Porém, há muitos exemplos de criação de pequenas bibliotecas ocorrendo pelos rincões desse País. Pois é chegada a hora da criação de mais uma biblioteca comunitária e que leva o nome de uma mãe de santo, mãe Ana.

‘A Biblioteca Comunitária Casa da Mãe Ana’ será criada nesse 19 de novembro de 2021 na cidade de Pedro II, Piauí, mais precisamente no Centro de Umbanda Pedro de Alcântara, também conhecido por “Terreiro de Mãe Ana”. A senhora em questão chamava-se Ana Maria do Nascimento, nascida em 26/07/1932 e falecida em 10/04/2011. Era casada com o senhor Francisco Pereira Filho, com quem teve cinco filhos. Mas o povo de Pedro II a chamava de “Mãe Ana” e é assim que em sua homenagem a bibliotequinha foi batizada.

O acervo medular da ‘Bliblioteca Comunitária Casa da Mãe Ana’ é a cultura afro-brasileira, a memória dos povos originários, dos povos de terreiros, dos afrodescendentes, dos povos indígenas e de suas respectivas histórias por estas bandas do Piauí. Por enquanto funcionará nas dependências do próprio terreiro, num cantinho, do jeito que Mãe Ana gostava de receber seus ancestrais e benzer os filhos e filhas de fé e assoprar em seus corações lufadas de esperança e de vontade de viver. Axé!

Por Ernâni Getirana

 

 

 

 

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